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quarta-feira, janeiro 11, 2006

Parataxe e Hipotaxe

Parataxe e hipotaxe são duas formas de organização sintáctica. Enquanto que a parataxe indica a ligação de frases com mesmo valor sintáctico por meio de coordenação (para isso são usadas as conjunções coordenativas), a hipotaxe indica a ligação de frases por meio de subordinação. A dependência de uma oração em relação à outra é marcada por conjunções ou pronomes relativos.

Dentro do grupo das conjunções coordenativas temos por exemplo as conjunções copulativas (e, não só...mas também, nem, nem...nem, quer...quer), conjunções adversativas (mas, mas sim, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto) e conjunções disjuntivas (ou, ou então, ou não, ou...ou, ora...ora, já...já).

No grupo da conjunções subordinativas existem conjunções temporais (quando, depois que, antes que), condicionais (se), causais (porque), consecutivas (de maneira que), finais (para que), concessivas (apesar de que) e modais (como).

No que se refere ao português falado, a parataxe e a hipotaxe têm sido colocadas um pouco à margem da investigação. Existem, no entanto, dois estudos que examinam o uso de construções paratácticas e hipotácticas neste domínio do português. Um desses estudos foi elaborado pela Universidade Estadual de Maringá (Paraná, Brasil), para o qual se construiu um corpus [Sobre a construção deste corpus veja-se:
http://www.unicentro.br/editora/revistas/guairaca/17/artigo%201%20diferenças%20linguisticas.pdf]. Da análise do corpus em causa concluiu-se que as formas mais simples de junção de orações têm maior frequência na modalidade oral do que na escrita, ao passo que com as formas mais complexas de junção de orações se verifica o contrário. Ou seja, a hipotaxe tem maior frequência na modalidade escrita do que na oral. O outro estudo, realizado por Isabel Trancoso em Lisboa, teve um resultado semelhante: “Como esperado, ocorrem nos diálogos já gravados fenómenos e construções tidos como recorrentes no diálogo espontâneo: [...] o recuo de construções hipotácticas em favor de parataxe.” [in: www.l2f.inesc-id.pt/documents/papers/Trancoso98b.pdf]

Na gramática portuguesa, de acordo com Gärtner (1994), as orações subordinadas são classificadas tendo em conta a não só a classe de palavras que substituem mas também a função sintáctica que exercem na frase. Desta forma, existem orações substantivas, adjectivas e adverbiais.
As orações substantivas subdividem-se em:

  • subordinadas substantivas subjectivas (Que chegasses pontualmente foi uma surpresa.);
  • subordinadas substantivas predicativas (A surpresa foi que chegasses pontualmente.);
  • subordinadas substantivas objectivas indirectas (Admiraram-se de que chegasses pontualmente.).

As orações adjectivas, apresentadas noutros estudos como orações relativas, subdividem-se em:

  • orações adjectivas restritivas (És um dos raros homens que têm o mundo nas mãos);
  • orações adjectivas explicativas (Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?).

Na perspectiva de Mira Mateus et al. (1989), as orações relativas, pertencendo ao grupo de orações de tipo subordinado, usam conjunções restritivas (Vi o homem que roubou a tua carteira.), apositivas (O António, que encontrei ontem, regressou do estrangeiro.) ou podem ser construídas sem antecedente (Quem vai ao mar perde o lugar.).

Como exposto em cima, as orações condicionais são também elas construções de tipo hipotáctico. Mira Mateus et al.(1990), fez uma abordagem deste tipo de orações subdividindo-as em:

  • orações factuais (Se a água atinge a temperatura de 100°, entra em ebulição.);
  • orações hipotéticas (Se faltasse outra vez a água, queixava-me.);
  • contrafactuais (Se tivesse chovido em Portugal em 1981, não tinha havido seca.).

Alguns exemplos do Corpus de Referência do Português Contemporâneo (CRPC) indicam que na língua falada e numa esfera linguística de proximidade se usam construções condicionais que não são, na perspectiva da gramática prescritiva, gramaticalmente correctas (Se eu não os obrigo a sair certamente morriam lá em vez de Se eu não os tivesse obrigado a sair certamente teriam morrido lá); têm, no entanto, presença na língua falada e devem por isso ser valorizadas e analisadas como fenómenos linguísticos e não apenas “marginalizadas” como erros.

Segundo um outro exemplo do CRPC usam-se na língua falada muitas construções paratácticas e, em geral, as construções hipotácticas que se encontram são simples, muitas vezes construídas com a conjunção porque.

Texto de Andreas Riess (Protocolo do seminário "Português Falado", do dia 28.11.05. Para mais informações consultar seminário - 28.11.05 em
portuguesfalado.com.sapo.pt)

2 Comments:

Blogger Lord of Empires Otserv!!! said...

Muito bom a sua pesquisa gostei!!!
VocÊ que fez?
Se sim... parabéns ;)

6:34 da tarde  
Blogger Lord of Empires Otserv!!! said...

Ai eu queria saber como que bota esse contador de pessoas ai no canto do teu blog eu tava afim de botar um no meu tmbm


Me manda uma msg plx ok so pra mim saber como faz Vlw!!!


e-mail: * derruba_boi@hotmail.com
* lord_of_empires@hotmail.com

6:36 da tarde  

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